Torquemada e a Inquisição Espanhola, por Rafael Sabatini




Torquemada foi um dominicano muito devoto, que fez voto de pobreza, penitências e dispensava cargos, títulos e honras. Esse tipo de pessoa, que não busca nem dinheiro e nem fama, pode ser assustador, pois há de se perguntar: o que Torquemada tinha a ganhar como inquisidor? A resposta é que ele realmente acreditava estar servindo a Deus, embora possa ter se deixado levar em alguns momentos pela sede do poder. 

É curioso como um livro muda dependendo da pessoa que o escreveu. Um cristão, um muçulmano e um ateu que escrevem sobre a Idade Média, sobre as Cruzadas, Inquisição e o Jesus histórico darão pontos de vista completamente diferentes. Por isso é necessário ler muitos livros e não somente acreditar na primeira abordagem sem questionar. 

Nos dias de hoje é considerado supersticioso e bárbaro matar em nome de Deus, mas ainda hoje há pessoas que defendem guerras, prisões e pena de morte em nome de outros crimes ou, no caso de guerras, por motivos financeiros. Não digo que existe justificativa para uma coisa ou outra, mas digo que é necessário entender uma época conforme as circunstâncias históricas e culturais antes de julgá-la como atrasada ou impiedosa.

Nós somos produto da época em que vivemos e se não lermos autores de outras épocas e culturas nos tornaremos eternamente presos na perspectiva de nosso tempo, considerando-a necessariamente mais certa. Não há armadilha pior, especialmente para o historiador.


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