A Noite Escura do Caos: Capítulo 2: Ressurreição


A Noite Escura do Caos

 Capítulo 2: Ressurreição
Agora que já tivemos um gostinho do Dia das Bruxas, voltemos para 29 de julho. Vou falar um pouquinho sobre a Santa Marta, já que prometi.
Existe uma grande polêmica de uma passagem bíblica a respeito de Marta. É a seguinte:  
"E aconteceu que, indo eles a caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: 'Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado só com todo o serviço? Peça-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: 'Marta, Marta, estás ansiosa e preocupada com muitas coisas, mas uma só é necessária; E Maria escolheu a melhor parte, a qual não lhe será tirada" (Lucas 10: 38-42). 
Resumo da passagem: Marta estava arrumando a casa sozinha, enquanto Maria escutava o discurso de Jesus. E Jesus disse que Maria escolheu a melhor parte. O que isso significa? 
Uma vez um frade me disse que ele e os amigos usavam essa passagem como "desculpa" para não lavar os pratos no seminário. Afinal, é mais importante as coisas espirituais do que as mundanas, certo?
 Só que a interpretação não acaba por aí. Um dos sermões do Mestre Eckhart é chamado "A excelência de Marta sobre Maria". Segundo Eckhart, na verdade Jesus fez um elogio a Marta, sendo esta superior a Maria porque já está mais madura, aplicando em obras aquilo que aprendeu, enquanto Maria ainda está no começo, fascinada com os ensinamentos. 
Mestre Eckhart sempre teve a má reputação de realizar interpretações bíblicas muito heterodoxas. Hoje em dia seus ensinamentos já são bem aceitos, assim como os carmelitas, que hoje são respeitados na Igreja, e eram criticados em seu tempo por serem "místicos demais".  
Essa questão do controle sempre foi muito recorrente. A Igreja sempre quis possuir a autoridade de interpretar corretamente os ensinamentos e estabelecer aquilo que é permitido ou proibido, considerando-se divinamente inspirada. Nas épocas em que ocorreram suas grandes revoluções internas (como o surgimento da ordem dos franciscanos, dominicanos, carmelitas, etc) esses começos eram encarados com suspeita e havia certa resistência para aceitá-los. 
Depois que a novidade revolucionária se torna tradicional e convencional, ela passa a ser a nova regra e a atual lei. Isso acontece no meio do ocultismo também. O que chamamos de magia tradicional, a astrologia, a alquimia, o tarot, tudo isso foi encarado com desconfiança em suas etapas de desenvolvimento.   
Posteriormente, quando essas áreas tomaram uma forma mais fixa, elas viraram a tradição e tudo que desviasse um pouco disso era considerado incorreto.
Isso também aconteceu com a magia do caos e até antes disso. Crowley e Spare eram "heterodoxos" em sua forma nova de interpretar e fazer magia. Depois eles viraram tradição. E então veio a magia do caos para questionar a tradição. Mas passadas algumas décadas, hoje já existem muitos magistas do caos "guardiões da tradição" e que se ofendem cada vez que os sigilos de Spare não são usados rigorosamente da maneira que Spare ensinou.  
Também há quem cite Peter Carroll e reclame que se você não segue os ensinamentos do Liber Null e do Liber Kaos (bases para a IOT) você não é um caoísta, ou é um caoísta que não entende as coisas direito.
Mas voltemos para Marta. A história de Marta e Maria nos diz muito a respeito da importância tanto da teoria quanto da prática. 
Há magistas que leem muito, estudam a parte teórica muito a fundo e tudo isso é fundamental. Também há magistas que praticam profundamente e isso também é maravilhoso. Mas ambos se complementam e não há sentido em tentar confrontar as duas abordagens. 
No cristianismo há os contemplativos e os ativos, mas cada um possui um misto de ambos. A questão é a ênfase que cada um escolhe dar a seus pontos fortes, ao que a pessoa se sente chamado para fazer.
Dê uma olhada no seu mapa astral. Descubra seus pontos fortes e os fortaleça ainda mais. Isso não significa que você também não tenha que trabalhar com suas fraquezas. Mas é óbvio que, se eu tenho facilidade e atração para uma área, irei me inclinar para ela naturalmente. Ninguém precisa ser perfeito em tudo.
Todo mundo tem um lado escuro, mas esse lado pode até mesmo ajudar a fortalecer a parte clara, assim como a dor pode gerar um grande ensinamento para valorizar a alegria. Não precisamos sempre fugir da dor ou tentar destruí-la. É preciso observá-la pelo que é. Por que ela está ali?
 Os "porquês" partem do pressuposto de que a vida tem um sentido e de que esse sentido pode ser descoberto, pelo menos em parte. Afinal, se não existe ordem ou sentido, por que se importar? Ou, caso exista sentido e não podemos descobri-lo, não há motivo para se agitar com isso tampouco.
Ainda assim, nós nos agitamos. Talvez porque, no fundo, acreditamos que o universo siga um tipo de ordem e exista uma razão para as coisas acontecerem dessa forma. 
Na magia do caos nós questionamos se há de fato ordem ou sentido, mas não os negamos. Todas as portas e possibilidades devem estar abertas. Se elas permitem algum resultado prático interessante, por que fechar a porta e limitar meu campo de visão?
Nós queremos o Éden, a alegria, a felicidade, um mundo perfeito para nós e para todos. Mas nós perdemos o Éden. Houve um sentido para ele ser perdido ou isso foi fruto do mero acaso? 
Há quem diga que Deus planejou tudo. A queda de Adão e Eva eram necessários para que Jesus viesse ao mundo e, com sua morte, redimisse a humanidade. Se o pecado não tivesse acontecido, Deus não teria se tornado um ser de carne e vivido no mundo material. 
Segundo esse raciocínio, é melhor ser imperfeito com Deus do que perfeito sem Deus. Mas será que existiria essa suposta perfeição sem Deus? Mais especificamente: é melhor ser imperfeito com liberdade do que perfeito sem liberdade.
A chave para compreender a história do Éden está na questão da liberdade. Deus preferiu que o ser humano fosse livre e sofresse do que fosse feliz sem liberdade. Mas não existe a alternativa de ser feliz e livre? 
Essa dualidade de felicidade e sofrimento, liberdade e aprisionamento, operam juntas. Em suma: a chave para a felicidade é o sofrimento. E a chave para a liberdade é a prisão. Mas falando dessa forma não parece fazer o menor sentido. Vou explicar melhor.
Para alcançar a Árvore da Vida é preciso morrer. Não se trata de um processo puramente espiritual, mas também físico. Nosso corpo de carne precisa ser devorado pelos vermes ou pelo fogo para atravessar completamente a barreira para o outro mundo. 
Quando Buda atingiu o nirvana, ele sentiu o primeiro gosto da liberdade. Mas ele sempre soube que o gosto completo só viria com o parinirvana, ou seja, o nirvana completo que só vem com a morte do corpo físico. 
Ainda assim, o que precisamos fazer na vida não é somente esperar o dia de nossa morte. Muito pode ser feito ate lá. O que podemos fazer é preparar nosso espírito para morrer. 
Todo dia nós experimentamos pequenas mortes, com eventos de nosso dia e pelo simples fato de dormir. Até comer é um ritual simbólico e literal da morte, quando devoramos o corpo de outros seres. 
O sentido da vida é a morte e o sentido da morte é a vida. Se há um sentido. Mas atribuir esse sentido às coisas possui consequências práticas interessantes.
Nós nos apegamos ao prazer e à vida e consideramos a dor e a morte negativos. Portanto, quando chega o sofrimento e a morte não sabemos como lidar com eles, pois apenas fugimos deles e os repudiamos. Nós também temos sede de liberdade e quando somos aprisionados nós sofremos enormemente.
As grandes religiões perceberam essa tendência humana e desenvolveram métodos para quebrar esse ciclo. Religiões como cristianismo e budismo, por exemplo, sempre tiveram um teor ascético muito forte.  
Realizar asceses, mortificações, austeridades, ou como queira chamar, significa buscar a dor, a morte e o aprisionamento por vontade própria. Quando nós buscamos o lado escuro, não temos mais medo dele. Conhecemos tão de perto a dor que quando ela nos aparece na vida já sabemos como lidar com ela, ao menos em parte ou melhor que antes. 
 De acordo com o budismo, somos como crianças, buscando incessantemente prazeres e fugindo da dor. Como nossa tendência natural é amar o prazer e odiar a dor, realizar exatamente o oposto é uma mudança de paradigma tão extraordinária que é uma forma de transcender nossa forma convencional de encarar o mundo. 
Não basta apenas "ver prazer e dor como iguais". Isso é apenas um falatório bonito. Na prática, não fazemos isso. Buda só descobriu o Caminho do Meio porque conheceu os dois lados: uma vida de prazeres no palácio e outra de privações, com anos de pesadas asceses nas florestas.  
É comum que, quando passamos por fortes privações na vida, por circunstâncias além de nosso controle, isso nos gere um amadurecimento. Mas na vida somos jogados nessas situações sem piedade. A proposta das religiões é que cada um no seu ritmo possa experimentar essas situações dolorosas através de pequenos gestos. 
O cristianismo costuma ser um pouco mais leve do que as religiões indianas nesse sentido, mas nem sempre foi assim. Até hoje, o cristianismo ortodoxo possui uma tradição de jejuns de longas horas antes da comunhão, que também era nutrido pelo catolicismo nos velhos tempos. Nos dias de hoje, há apenas os jejuns da Quaresma. Já o islamismo mantém seus jejuns no mês do Ramadan.
É comum que alguns ocultistas encarem essas restrições religiosas com desprezo. Dizem eles que isso é desprezar o corpo e a realidade material, que devem ser celebrados e plenamente desfrutados. Portanto, podemos e devemos fazer muito sexo, comer o que quisermos e quando quisermos e experimentar os mais variados prazeres possíveis sem culpa.  
Acredito que muitos daqueles que defendem isso podem não ter entendido completamente qual é o objetivo das privações. Elas não são feitas porque o prazer é olhado como se fosse inferior. Pelo contrário: o prazer é algo tão precioso que livrar-se dele é doloroso. Esse sacrifício é feito em nome de Deus ou em nome de um objetivo maior como o amadurecimento espiritual ou disciplinar as próprias emoções e impulsos, tudo isso em nome da felicidade e liberdade. 
 Quando corremos para tentar alcançar a felicidade e a liberdade como desesperados, elas podem nos escapar. É preciso fazer um jogo de sedução. É necessário realizar uma preparação prévia para "tornar-se digno da felicidade", como diria Kant. É como a preparação da operação de Abramelin, na qual nos inflamamos de orações e trabalhos de caridade, para com isso "chamar a atenção do Anjo" para nós. 
Para alterar o estado de consciência no budismo e atingir o primeiro jhana também é preciso realizar esse "jogo de sedução" com a nimitta (que é o sinal que antecede a absorção). Primeiro você precisa ignorar a luz brilhante que aparece e manter o foco no seu trabalho de meditação, para que depois ela retorne com mais força. Não adianta tentar agarrar o mundo inteiro se você ainda não está preparado. Concentre-se no seu treino, passo a passo e no seu ritmo, que os resultados irão se mostrar no devido tempo.
No budismo é dito que a liberdade vem através da disciplina. Ou seja, da privação e aprisionamento voluntário. É por esse motivo que existem os mandamentos nas religiões abraâmicas e códigos morais similares nas demais religiões.
Quando colocamos correntes em nós mesmos esse pode ser um primeiro passo rumo à liberdade. Quando queremos desesperadamente ser livres, sem seguir nenhum tipo de regra ou lei, fazendo "o que quisermos" sem nos importarmos com absolutamente nada, será que essa será uma liberdade genuína? 
Nós queremos fazer tudo e podemos sim fazer um número enorme de coisas, contanto que aceitemos suas devidas consequências. Na Bíblia há uma passagem que diz: "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém" (1 Coríntios 6:12). De qualquer forma, não temos tempo nessa vida para fazer de tudo. É preciso escolher dentre as opções disponíveis no que iremos nos focar. Essa frase até me lembrou do nome de um livro do Austin Osman Spare (The Focus of Life). 
Portanto, se queremos aprender a ser livres, em primeiro lugar devemos aprender a não ser livres. Devemos aprender a obedecer nossos contratos e promessas, seja aqueles que realizamos com nós mesmos (um calendário de atividades para o dia, projetos, etc), com os outros ou com os Deuses.  
É normal falhar. E, da mesma forma, a chave para aprender a vencer é aprender a falhar. Significa falhar tantas vezes que esse fantasma já não nos assusta mais. 
Tornar-se bom em meditação significar fazer tantas vezes meditações horríveis, sonolentas, dolorosas, que já não nos sentimos mal quando elas acontecem. Não nos chateamos, não tomamos mais isso como uma ofensa pessoal à nossa falta de capacidade para meditar. Ao contrário: aprendemos que a falha é o melhor professor. Quando aceitamos naturalmente a falha, aprendemos com ela e até fazemos amizade com a moça (ela se torna uma velha conhecida), finalmente passamos a acertar algumas vezes. E, com o tempo, fazer uma meditação boa ou ruim logo já não fará tanta diferença.
É claro que podemos continuar imensamente felizes quando as coisas correm bem e tristes quando elas correm mal, mas não permitimos que essa tristeza toque o fundo da alma e despedace o coração. Nós devemos reconhecer a tristeza como tristeza e permitir a nós mesmos momentos de fraqueza. Ainda assim, podemos encará-la como algo mais natural, parte da vida e do processo do aprendizado. É exatamente por causa das meditações ruins que existem as boas. É como se as meditações boas fossem frutos que nascem a partir da flor das meditações ruins. Sem elas, jamais viria o fruto. Portanto, é preciso ter paciência. 
Disso tudo conclui-se que, sim, a chave para a felicidade é o sofrimento. Para ser feliz, é preciso aprender a sofrer. Para desfrutar da vida em sua plenitude, é preciso aprender a morrer.  
Essas não são apenas palavras bonitas que escrevo aqui para que soem legais. Elas merecem ser colocadas em prática. 
A religião cristã possui um grande apelo para tanta gente até hoje, exatamente porque ela fala sobre como chegar à felicidade através da dor. Ela ressoa fortemente em pessoas mais pobres, mais velhas ou que já sofreram muito na vida. A religião dá um significado ao sofrimento das pessoas. Aquela dor não aconteceu por nada, mas possui uma razão maior. Ela é a chave para compreendermos o grande mistério da vida.  
Jesus veio ao mundo somente para sofrer e morrer. Esse foi o único sentido de sua existência: nasceu muito pobre, realizou trabalhos braçais pesados durante toda a vida, permaneceu pobre e, um dia, foi torturado e morto.
Qual é o sentido de nascer somente para sofrer e morrer? Muitas pessoas se perguntam isso o tempo todo e quando leem sobre a vida de Cristo esse eco ressoa em suas próprias vidas. Então elas querem imitar Cristo.
"A Imitação de Cristo" de Tomás de Kempis é o mais famoso livro cristão depois da Bíblia. Como eu costumo dizer, ele era equivalente ao que são hoje os best-sellers do New York Times do final da Idade Média. Todos os santos da época o conheciam e o citavam.
É possível que muitas pessoas hoje pensem que a vida não faz sentido ou não saibam lidar com o sofrimento e a morte porque ou levam vidas relativamente confortáveis (longe de fome, pobreza extrema, trabalhos braçais pesados, de situações de morte, etc) ou porque, mesmo que sofram muito, considerem que o modelo que devem atingir é ser rico, saudável e belo. 
Muita gente no ocultismo faz a seguinte pergunta, que eu mesma considero um pouco sem sentido: "se o magista X é tão sábio e poderoso, por que ele não consegue se curar da sua doença, por que ele é pobre, etc".  Para as pessoas de hoje, ser sábio e poderoso é sinônimo de ser capaz de fazer muito dinheiro, de manter-se eternamente jovem, belo, ser famoso, e coisas assim. 
É verdade que essa é uma ideia que já existiu nas mais variadas épocas e lugares, mas também sempre houve pessoas para contestar esse paradigma. Vários filósofos se colocaram contra ele na Grécia Antiga e eu sempre cito Diógenes como alguém que mostrou um exemplo prático. 
Na Idade Média europeia, no interior do paradigma cristão, o objetivo final não era ser rico, belo e famoso. Ao contrário, o modelo maior era o santo, aquele que abandonou o mundo, que fez voto de pobreza, que usa roupas surradas, que se retirou para um local desconhecido para apenas servir Deus e imitar Cristo em sua pobreza e simplicidade. Somente assim ele chegaria mais perto do objetivo da vida, da felicidade e da liberdade.
Muitas religiões indianas seguiram um caminho semelhante (principalmente seitas do hinduísmo, jainismo e budismo). Sempre houve a nobreza (os reis) e grandes ricos, mas possuiriam eles o monopólio da felicidade? Até hoje o dinheiro é considerado como caminho absoluto e exclusivo para a felicidade. Tanto que a justa distribuição de riquezas por todos costuma ser citado como único caminho de salvação (é a visão materialista de que a felicidade está exclusivamente na matéria). Mas houve muitos reis e príncipes medievais que abandonaram o mundo. Sabemos que era algo comum na Índia também, como foi o caso de Buda e Mahavira.
Não é sábio tampouco negar a matéria e sua importância. Nós temos um corpo e esse corpo, embora possa ser um tipo de prisão, também pode ser visto como exatamente aquilo que nos levará a um caminho de liberdade.  
O problema é achar que com a resolução das questões políticas e econômicas todo o resto é supérfluo. É verdade que essas são duas áreas importantes, mas as pessoas hoje costumam disputar mais sobre política do que sobre religião. A importância da religião foi relegada a segundo plano em relação à questão da felicidade. Enquanto no cristianismo a pobreza era exaltada (no sentido positivo, como caminho para Deus) hoje essa exaltação da pobreza é criticada como manutenção do status quo.
"O meu reino não é desse mundo" disse Jesus (João 18:36). Creio ser esta uma visão revolucionária que mostra que podemos mudar o mundo não somente através de reformas políticas, mas também por outros caminhos. É bom abrir as nossas perspectivas e métodos. O cristianismo, sem focar no materialismo, conseguiu gerar diversas transformações materiais através de doações voluntárias que ainda fazem mais efeito para ajudar certas populações pobres de vários países que as reformas políticas não atingem. 
Jesus não teria vindo ao mundo somente para curar doentes, mas para morrer. Ele iria salvar através de sua morte e ressurreição e não pelas curas materiais. Esse é um conceito extremamente difícil de entender na época materialista em que vivemos, mas mais tarde voltaremos a ele (isso tem relação com a história de Marta e Maria). Nós atingimos a imortalidade com o sofrimento e a morte e não vivendo o máximo de tempo possível com o máximo de conforto que conseguirmos. E, a parte mais difícil: esse não é o único mundo. 
Com essa introdução ao modo de pensar cristão, creio que podemos começar a falar sobre a noite escura. A noite escura da alma é um conceito da mística cristã apresentado plenamente por São João da Cruz, que viveu num início de Idade Moderna que ainda possuía muitos resquícios de Idade Média. Numa época em que as reformas protestantes estavam em voga, ele fez questão de defender a ortodoxia católica, mas sem deixar de apresentar algumas inovações. Ele teve que lidar com as autoridades da época para que suas reformas fossem autorizadas e passou por muitos sofrimentos. 
Hoje o termo "noite escura da alma" é largamente usado no ocultismo. Iremos analisar como foi sua origem e como ele foi transformado através dos tempos. 



Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.
Lucas 10:40
Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.
Lucas 10:40
Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.
Lucas 10:40
Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.
Lucas 10:40

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