Eu sou escritora como hobby




Eu escrevo desde criança. Escrevo desde que lembro que existo. Quando eu tinha 8 ou 9 anos, eu já amava escrever e desenhar. Eu fazia histórias em quadrinhos. Desenhava tudo o que via. E imitava estilos de escrever de livros que eu lia.

Quando eu estava na primeira ou segunda série já era viciada em ler. Eu passava muito tempo na biblioteca do colégio e levava muitos livros pra casa. E como os livros tinham muitas imagens e parágrafos, era natural que eu quisesse imitar algo que eu amava.

Daí veio o amor por três coisas que ainda amo fazer: ler, escrever e desenhar.

Só que em certo momento enjoei de fazer histórias em quadrinhos e passei a escrever livros sem imagens. Acabei não treinando tanto minha técnica de desenhar como treinei a técnica de escrever.

Já passei por diferentes épocas na minha vida. Houve anos em que quase não desenhei, quase não li e quase não escrevi, enquanto em outros anos fiz isso exaustivamente, quase sem parar.

Quando eu tinha uns 17 ou 18 anos já pensei em ser artista, desenhista. Mas aos poucos descobri que embora seja divertido desenhar, eu era meio preguiçosa pra isso. Gostava muito mais de escrever. Por isso desde essa época decidi que desenhar seria apenas um hobby para mim e não mudei de ideia. 

Quando eu tinha uns 21 anos pensei em ser escritora. Foi a época em que escrevi Velevi e eu estava muito orgulhosa do meu livro e empolgada. Mas acho que cerca de um ano depois eu mudei de ideia e decidi que não queria mais ser escritora e deixaria essa atividade apenas como hobby.

Um dos motivos é que eu queria mais ação na minha vida. Eu percebi que se eu ficasse só escrevendo ficaria com inveja dos meus personagens vivendo mil aventuras enquanto eu só ficava sentada. Eu também queria que minha vida fosse uma aventura.

No último livro do Haruki Murakami, em que ele fala sobre escrever, ele menciona algo muito interessante. Ele diz que já viu muitos escritores talentosos que produzem uma obra-prima já no primeiro livro escrito! Mas a diferença entre esses escritores e os outros é que quem vira escritor como profissão persiste escrevendo, sempre e sempre. Não produz apenas um ou dois livros.

Darei minha opinião a respeito. Sempre achei muito fácil escrever e para mim nunca foi um processo doloroso. Eu já coloquei na internet nesses últimos anos mais de 40 livros. Se contar todos os romances que eu escrevi, mais os contos, é possível que eu já tenha escrito quase cem livros ao longo da minha vida.

Por que eu fiz isso? Porque eu tinha uma ideia na cabeça e queria colocar no papel. Simples. Eu escrevo rápido porque é como uma droga. Dá um barato muito bom.

Não entendo escritores que precisam marcar hora pra escrever ou que ficam sem ideias. Isso nunca aconteceu comigo. Sempre tenho ideias até demais e, quando quero, quase sempre tenho muita vontade de escrever. Isso não me torna melhor do que outros escritores, pois cada pessoa tem suas qualidades e limitações. 

Há escritores que eu admiro muito. Posso me inspirar neles, mas respeito que eu tenho meu próprio estilo de escrever, que é simplesmente diferente e cada um deve explorar seu potencial dentro de seu universo.

Praticamente qualquer pessoa é capaz de escrever bem caso se esforce um pouco. Entenda que estou falando de livros de literatura com total liberdade de técnica. Não estou me referindo a habilidades de jornalismo, de edição de texto (que exige conhecimentos de gramática e de várias outras coisas). Essas coisas exigem tempo e dedicação para aperfeiçoar.

Mas escrever poesias e romances, por exemplo, não é difícil. Escrever algo que seja bem avaliado pela crítica literária são outros quinhentos. Estou falando aqui de escrever algo por hobby que seus amigos achem legal.

Eu acho que escrevo bem romances e conheço dezenas de amigos meus que também são escritores excelentes. 

Existem pessoas que decidem se tornar escritores profissionais e para isso precisam de mais contatos e divulgações do que habilidades literárias. Pelo menos é o que eu acho. Há vários livros excelentes que são totalmente desconhecidos e livros não tão bons que são publicados em editoras grandes.

Eu considero algo desgastante divulgar minhas coisas e ter contatos profissionais. Gosto muito mais de só escrever por hobby. Assim escrevo o que quero, quando quero.

Gosto de escrever só quando estou a fim, quando estou inspirada. Não gostaria de escrever profissionalmente, por mais que eu tenha mil ideias. É chato ter uma data para escrever e entregar, sei lá.

Pode ser que eu mude de ideia no futuro, mas isso é o que penso hoje. Por enquanto não tenho planos de publicar meus livros em editoras. Não é tão difícil publicar numa editora pequena, mas nesse momento estou feliz com o Clube de Autores.

Tem muita gente que não é escritor profissional porque nem sempre é fácil fazer dinheiro com isso. Embora essa não seja minha razão principal para não ser escritora como profissão, é um fator a ser considerado.

Hoje em dia não tenho nenhuma intenção de fazer dinheiro com minhas coisas da internet, seja livros, sites, vídeos ou qualquer coisa que eu possa inventar. Faço tudo isso somente para me divertir e quando enjoar apago tudo. E depois volto, apago, volto. Sou assim. Isso não significa que eu vá ser sempre assim.

Muita gente se acha muito nobre dizendo coisas como: "Não escolhi minha profissão pelo dinheiro e sim porque gosto!". Eu também acho que considerar dinheiro como fator principal para uma escolha profissional pode levar à frustração, mas nem sempre. Cada pessoa é diferente.

Tem várias formas de ter satisfação profissional e ser feliz. Você pode montar seu próprio negócio. Alguns fazem curso técnico. E a maior parte das pessoas que conheço fazem curso superior. 

Eu duvido que alguém tenha ido para a faculdade buscando apenas conhecimento. Há muitas formas mais interessantes de obter conhecimento. Os maiores motivos para buscar um diploma é dinheiro e status. Você pode até se gabar por ter escolhido um curso "que não dá dinheiro, que escolheu por paixão", mas pra mim o simples fato de você ter ido para a universidade, não importa pra qual curso, mostra que dinheiro é sim uma preocupação. E se não era o dinheiro, pelo menos o status que o diploma vai dar.

Universidades são lugares desagradáveis por vários motivos. Há os bons momentos, mas os ruins superam os bons. Penso a mesma coisa sobre colégios. Mesmo assim, muitos vão lá pelo mesmo motivo que vão ao dentista.

Sim, eu me considero uma pessoa otimista. Mas quando baixo minhas expectativas sobre as coisas, tudo se torna mais fácil. 

Muitas vezes nós achamos que já sabemos o que gostamos de fazer com base em meia dúzia de coisas que experimentamos na infância. Quando abrimos nosso horizonte de visão podemos descobrir coisas que gostamos de fazer que antes desconhecíamos.

Eu já li, desenhei e escrevi demais ao longo da minha vida. Talvez esse seja outro dos motivos de eu não desejar fazer isso profissionalmente. Quero experimentar a vida sob novas perspectivas. Vou continuar fazendo isso por hobby no tempo livre, assim como continuo fazendo até hoje.

A vida é longa demais. Dá tempo de experimentar muitas coisas.

Escolher o que fazer da vida não é um simples cálculo de prazer menos dor. Há profissões que envolvem muita dor e dificuldade, mas que dão uma satisfação imensa. Às vezes não envolve algo tão óbvio e prazeroso, mas desafios a serem superados. No final, a felicidade de algo assim é muito maior do que um mero estímulo sensorial.

Muitos de nós provavelmente conhecemos pouco sobre a vida e sobre nós mesmos. Eu aprendi muitas coisas lendo, mas foi lendo que também aprendi a limitação dos livros. Eu não quero continuar no mundo da abstração para sempre.

Nesses últimos anos em que saí um pouco do mundo da abstração, posso dizer que estou ainda mais feliz. Provavelmente era isso que eu buscava. O resto, o futuro dirá.  



Comentários

  1. "Universidades são lugares desagradáveis por vários motivos. Há os bons momentos, mas os ruins superam os bons. Penso a mesma coisa sobre colégios."

    Poxa eu discordo ferozmente dessa afirmação rsrs, melhor época da minha vida foi o ensino médio, o fundamental e a faculdade também foram muito legais! Eu bem que queria estudar a vida toda mas como você disse, tem que ganhar dinheiro né e estudante não é profissão :( , mas que saudade do tempo que eu só estudava...tempo bom!
    Ah se eu não morrer trabalhando (será possível?!) pretendo pelo menos fazer mais uma faculdade quem sabe.

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    1. Eu não tive nenhum problema no colégio. Inclusive gostei muito. Mas conheço muitas pessoas que tiveram problemas na universidade por diversas razões. É verdade que podemos fazer amigos lá e isso facilita o processo. No entanto, existem muitos professores, principalmente em universidades públicas, que podem dificultar algumas coisas. E quando se trata de pós-graduação, a situação pode se tornar bastante delicada.
      De fato, a experiência de cada um é diferente.

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