Meus pensamentos sobre feminismo




Será que já estou esgotando meus temas polêmicos? Vamos contar: já falei de religião e política. Eu não sei se vou falar de Inquisição agora. Primeiro eu queria ler o livro do C.S. Lewis sobre isso. Já li uns livros a respeito, mas provavelmente não o bastante.

Não sei falar sobre as polêmicas de futebol ou outros esportes. Pra mim, futebol só fica polêmico quando envolve política (como na época da Copa).

Vamos ver quantos leitores do meu blog vão sobrar quando eu esgotar mesmo os assuntos. É minha estratégia pra espantar leitores. Brincadeira shdusd

Sendo bem sincera, eu não sei muito sobre feminismo. Na minha cabeça, eu sei o mínimo sobre algum assunto quando eu li pelo menos alguns livros sobre isso. Eu já li um pouco de Virginia Woolf, mas por incrível que pareça  nunca li Simone de Beauvoir.

Lembro que a Anne Frank diz no diário dela que não se interessa por feminismo. Acho que é normal quando somos crianças, ou talvez adolescentes, não nos interessarmos tanto por esse assunto. Na nossa cabeça não somos mulheres ainda. Somos "meninas" ou "garotas". Mulher parece uma palavra muito carregada, parece uma mãe de família. Ou era assim que me soava no passado.

Então, quando eu era criança, na minha cabeça "mulher" era um ser que não tinha nada a ver comigo. Era algo distante que eu nem tinha certeza se eu chegaria a me tornar um dia. Então sempre quando se falava de mulheres eu jamais associava comigo.

Será que ocorre algo parecido com o pessoal do sexo masculino? Acho improvável que uma criança se identifique muito com a palavra "homem".

Hoje em dia eu gosto da palavra "mulher" e já faz tempo que me identifico com ela. Se referir a uma mulher de 30 anos por "menina", "garota" ou "guria" é considerado uma gentileza da nossa sociedade que deseja se manter jovem para sempre.

Eu li em algum lugar, não me recordo onde, uma crítica de porque os homens só possuem uma palavra ("senhor") para se referir a eles, enquanto as mulheres são chamadas de "senhoritas" quando são solteiras e "senhoras" quando são casadas. O texto falava o quanto a sociedade considera importante que a mulher se case, enquanto o homem não tem a obrigação de que esse seja um evento relevante na vida dele.

Se me recordo, eu li isso no livro da Chimamanda. Ela é uma autora nigeriana que eu adoro. Já li vários livros dela e sou fã.

A Chimamanda é uma mulher negra africana, então ela fala muito em seus livros sobre essas três condições: ser mulher, ser negra e ser africana. Achei curioso que no último livro dela a autora comenta que acha o machismo mais problemático do que o racismo. Afinal, raramente as pessoas defendem que o preconceito contra a cor da pele não acontece, mas existe muita gente que defende que o preconceito contra as mulheres já não existe nos países ocidentais no século XXI e que isso era coisa do passado ou de países muito pobres.

Ela defende que um dos maiores problemas do machismo é exatamente esse: as pessoas dizem que hoje em dia as mulheres têm tantas oportunidades quanto os homens, os direitos são mais ou menos iguais, etc. Mas nos livros dela ela cita vários exemplos de situações cotidianas sugerindo o contrário.

Eu gostaria de ler mais sobre a história do feminismo. Falando nisso, eu também gostaria de ler mais sobre a história das lutas dos direitos dos negros e gays. Eu aprendi algumas coisas sobre as lutas recentes dos negros lendo a biografia do Nelson Mandela e algumas coisas sobre o Martin Luther King Jr.

Ler essas coisas é surpreendente, pois você percebe que leis horríveis e absurdas contra negros existiam há poucas décadas! E os gays ainda estão lutando para conseguir mais direitos.

Essas são coisas que estão acontecendo agora, no século XXI! Pelo que eu saiba, muitos dos direitos das mulheres e leis a favor delas também só foram conquistadas há poucas décadas e algumas ainda precisam ser conquistadas. 

Isso para não falar em certos países em que todas essas conquistas talvez só venham a acontecer no futuro.

Agora vou ir mais para o lado pessoal e dizer como eu mesma enxergo toda essa questão de preconceitos.

Eu sou uma mulher heterossexual. Não considero minha cor de pele nem branca e nem negra. Em questionários, costumo escrever "parda". Algumas pessoas já se referiram a mim como "pele branca" ou "pele morena", então eu provavelmente sou algo entre branca e parda que não tem um nome definido. Sendo assim, prefiro ir para o parda. 

Um dos preconceitos que eu acho mais divertido me manifestar contra é em relação à cor da pele. Eu costumo fazer muitos personagens nas minhas histórias (incluindo protagonistas) negros e mulatos. Eu também faço várias personagens mulheres e gays, mas confesso que o que sinto mais prazer em fazer são personagens negros. 

Outro dia faço um post só comentando sobre tipos de personagens que mais gosto de fazer.

Desses três preconceitos mais mencionados (gênero, cor e opção sexual) o que mais tem relação direta comigo é o fato de eu ser mulher. Afinal, até onde eu entendi nas aulas de biologia, sou indubitavelmente uma mulher! É isso ou todo mês eu levo acidentalmente um tiro na barriga e sangro pelas pernas.

Eu acho que ninguém tem a "obrigação" de lutar por algo, assim como ninguém tem a obrigação de ser entendido de política, de ciência ou de qualquer outra coisa.

Uma pessoa pode ser negra e não se interessar por lutar pela "causa" do preconceito contra a cor de pele. Um gay pode não se interessar em abanar bandeira para a causa gay. E uma mulher tampouco tem a obrigação de denunciar o machismo o tempo todo.

Na verdade, há diferentes maneiras de lutar por várias causas. Algumas pessoas fazem posts no Facebook denunciando isso ou aquilo e eu respeito isso. Quando gosto, compartilho. Mas em geral eu prefiro fazer as coisas da seguinte forma:

O fato de eu já ter escrito histórias com muitos protagonistas mulheres, negros e gays, por exemplo, considero como uma forma importante de valorizar certa condição. Meu personagem não precisa falar sobre isso. Ele só está lá, tem essa característica e isso é o bastante. Mas eu não tenho "cota" ou obrigação tampouco de ter que fazer um personagem assim ou assado. Faço o que quero.

Eu sou uma mulher que escreve sobre magia do caos, por exemplo. Ou já fui uma mulher que escrevia sobre budismo, cristianismo, etc. E ainda escrevo quando tenho vontade. Nem sempre sinto a necessidade de "falar sobre as mulheres na magia do caos" ou "falar sobre as mulheres no cristianismo".

Na verdade agora que faço parte da Chaos Girls eu tento produzir algumas coisas nesse sentido porque sinto que é um bom espaço para isso. Mas em geral sinto que minha presença no cenário do ocultismo como mulher e minhas produções já é o bastante para mostrar que "mulheres produzem coisas legais sobre magia" (bom, eu pelo menos acho legal o que eu faço, pois se eu não achasse teria sido um porre escrever quarenta livros, uma verdadeira sessão de tortura e masoquismo), sem precisar colocar em palavras que "mulheres fazem coisas legais".

Sim, é óbvio que fazem. Todos fazem coisas legais, não só as mulheres, mas os gays, os chineses, os nigerianos, os indígenas, os funkeiros, etc.

Eu acredito que o feminismo e a luta por direitos das mulheres, busca de respeito, etc, é algo digno. É algo realmente sério.

A questão é que as pessoas têm experiências de vida diferentes. É muito comum que mulheres, principalmente quando são jovens, passem por relacionamentos amorosos ruins com homens e passem a sentir grande raiva contra o sexo masculino, pensando que aquilo se aplique a todos os homens do mundo.

Acontece que homens também passam por isso. Muitos homens têm relacionamentos ruins com mulheres e passam a ter raiva do sexo feminino.

Essa guerra entre sexos é algo negativo para todos. É claro que as pessoas são diferentes. Há mulheres gentis e mulheres cruéis. Há homens gentis e homens cruéis.

A questão não é ser homem ou mulher. É que existem pessoas legais e pessoas chatas. Claro que ninguém é totalmente legal e nem totalmente chato.

Agora vamos falar sobre outro tópico polêmico que é a questão do preconceito reverso. Uma vez eu assisti um documentário na Netflix que falava sobre negros que iam bater em agricultores brancos na África, ou até tentar matá-los, por preconceito contra brancos.

Essas coisas existem. Na África do Sul, por exemplo, é comum muita gente reclamar que após o Mandela foram criadas tantas leis para proteger os negros que existem muitos brancos pobres enfrentando muito mais dificuldades que os negros hoje.

Bom, eu sou a favor de cotas raciais nas universidades. Sou a favor de tudo que é cota: para negros, índios, estudantes de universidades públicas, etc.

Aliás, eu acho que as mulheres deviam ter direito a uma falta extra por mês no colégio, universidade e trabalho porque eu e a maior parte das mulheres que eu conheço costuma ficar de cama e impossibilitada em várias ocasiões quando tem cólica. Não é bem uma doença, então como se consegue atestado pra isso? 

Mas voltando ao assunto, vou focar aqui no preconceito contra homens para corresponder ao tema do post (até parece que eu me esforço pra seguir os temas dos títulos dos meus posts. Se duvidar daqui a pouco vai ter um discursos sobre cristianismo no meio dffhdufd).

Sim, homens sofrem preconceitos diversos, para ser o "provedor" da família, para ter que ganhar muito dinheiro, para não chorar, não mostrar emoções, não ser "feminino", etc. E boa parte dos preconceitos que os homens sofrem é devido ao preconceito contra mulheres (que ser feminino é ruim porque ser mulher é ruim, que ser sensível é ruim porque mulheres são sensíveis, etc).

Claro, homens sofrem preconceitos, mas na maior parte dos casos e situações mulheres sofrem mais. Se bem que... isso não é uma competição para quem sofre mais! Homens também sofrem situações de estupro e abuso sexual (geralmente crianças, mas adultos também) tanto por parte de mulheres quanto de outros homens. Mas... sim, ainda na maior parte dos casos as vítimas são mulheres e os agressores são homens, como nos casos de violência doméstica.

Por tudo isso, o feminismo tem um sentido. E o feminismo defende os direitos dos homens também, já que, como já mencionei, melhorar a situação das mulheres costuma tornar a situação dos homens melhor também.

E eu não acho que mulheres precisam deixar de fazer tarefas domésticas (cozinhar, lavar pratos, limpar a casa), de ter filhos ou de cuidar dos filhos para ser "livre". Ao contrário, não são as mulheres que devem deixar de gostar de fazer essas coisas, mas são os homens que devem se interessar mais pelas "atividades tradicionalmente tidas como femininas". E aqui eu não resisto em acrescentar: na Idade Média não era assim, nos mosteiros os homens que cozinhavam, lavavam pratos e limpavam seus próprios mosteiros!

Não vejo nenhum problema numa mulher que opta por não trabalhar e em vez disso se dedicar "apenas" a cuidar da casa e dos filhos, como antigamente. E não vejo nenhum problema no oposto também: um homem que não trabalha e fica em casa cuidando dos filhos pequenos enquanto só a mulher trabalha.

Com o homem e a mulher trabalhando, acaba não sobrando tempo para a educação dos filhos e é preciso delegar essa atividade a outra pessoa. Eis outro problema da síndrome americana de ser independente e livre através do trabalho. Hoje temos a noção de que apenas o dinheiro nos torna livres.

As mulheres querem copiar o que os homens fazem em vez de "fazer coisas de mulher" às vezes porque elas mesmas podem achar que "coisas de mulher" são ruins.

Enfim, cada um faz o que quiser e vive como quer sem precisar dar satisfações. Há empregos tidos como mais masculinos, outros como mais femininos. Cada um faz o que gosta e pronto.

Há também o fenômeno das mulheres que querem "se tornar lésbicas" porque embora sejam heterossexuais estão cansadas de homens que as tratam mal. Pode ser que seja possível mudar seu gosto sexual. Eu não sou uma especialista nessa área para julgar, mas eu suspeito que muitas das mulheres que experimentem relacionamentos sérios com outras mulheres vão descobrir cedo ou tarde que também existem mulheres que tratam outras mulheres mal num relacionamento. É um problema humano.

Você pode tentar namorar um vampiro, é claro. Ter seu sangue sugado até a morte se torna o menor dos seus problemas. O importante é que seu namorado vampiro é gato e não é humano.

Melhor parar por aqui ehehe.



Comentários

  1. Ótima reflexão!
    Assim vc não se livra de seus leitores,ao contrário, os mantem e atrai outros,hehhee!

    Ah! Wanju, creio que ao falar da condição feminina não podemos esquecer de um dado trágico ocorrendo principalmente no Brasil:

    - O FEMINICÍDIO!!!

    Peço licença pra reproduzir abaixo um informativo ( desatualizado ) do Instituto PATRICIA GALVÃO.

    O Mapa da Violência 2015 (Cebela/Flacso) mostra ainda o peso da violência doméstica e familiar nas altas taxas de mortes violentas de mulheres. Dos 4.762 assassinatos de mulheres registrados em 2013 no Brasil, 50,3% foram cometidos por familiares, sendo que em 33,2% destes casos, o crime foi praticado pelo parceiro ou ex. O estudo aponta ainda que a residência da vítima como local do assassinato aparece em 27,1% dos casos, o que indica que a casa é um local de alto risco de homicídio para as mulheres.

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    1. Brigada! E noooossa, não sabia disso! Que horror! :/

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