Qual é o meu problema com a psicologia? (e pensamentos sobre socialismo)




Não que eu tenha problemas com a "psicologia" em si, mas talvez com a visão geral do que se entende por psicologia. Eu entendo que a psicologia é uma área de estudo extremamente importante e ampla. Não é possível reduzir a psicologia a apenas meia dúzia de pensadores.

Eu diria que a minha crítica à psicologia seria parecida com minha crítica à magia do caos. Sabemos que o caoísmo possui uma abordagem pragmática do "use o que funciona" e do "nada é verdadeiro, tudo é permitido", etc.

Só que eu tenho minha própria visão da magia do caos que vai além do pragmatismo. Vejo o caoísmo como magia criativa, como explorar diferentes paradigmas, misturar vários, criar os próprios. E isso inclui paradigmas em que existem sim coisas verdadeiras e não permitidas, incluindo também abordagens não pragmáticas. 

Imagino que algo parecido ocorra na psicologia. Eu não li muitos autores de psicologia, então não posso afirmar ao certo, mas imagino que nem todos os psicólogos interpretem os fenômenos apenas com a visão de que "tudo é psicológico".(Eu sei que psicologia NÃO é isso, é o estudo da mente, do comportamento, interação com meio ambiente, etc.)

Eu gosto particularmente da abordagem da antropologia, de experimentar diferentes culturas e tentar ver cada cultura a partir de dentro, vivendo entre eles, não somente observando de fora.

Interpretar as coisas somente com a visão de que "tudo é psicológico" ou "vou usar o que funciona" é reduzir a realidade, é viver dentro de apenas um paradigma ou visão de mundo e eu gosto de experimentar vários.

A visão predominante no século XXI é exatamente essa: as pessoas não acreditam mais em Deus ou em Deuses. Quando falam em Deuses, pensam num símbolo, numa linguagem, qualquer coisa para que a mente racionalista, materialista, secularista e reducionista do século XXI aceite.

Será que temos a mente pequena demais no tempo em que vivemos e nela cabe tão pouca coisa? Achamos que sabemos demais, que somos gênios porque "descobrimos" que todas as religiões, mitos e fábulas eram somente símbolos que as pessoas usavam e que essas coisas não existem fora da mente.

Eu me oponho fortemente a essa concepção. Não porque eu acho que ela esteja errada, mas simplesmente porque vejo essa forma de ver o mundo somente como uma entre muitas formas possíveis.

Eu posso dizer sim que Deus ou os Deuses existem fora da minha mente, como seres separados. Posso usar paradigmas que lidem com as noções de Verdade, Bondade e Beleza em vez de dizer que nada é verdade, que certo e errado, bem e mal são relativos, etc.

Só para deixar claro: eu particularmente acredito em Deus (e em Deuses, em fadas, em dragões, em tudo). Mas às vezes acreditar em tudo pode ser a mesma coisa que não acreditar em nada. Então digo que, principalmente por influência do cristianismo, eu acredito num Deus pessoal e não num Deus panteísta.

Ser agnóstico ou acreditar num Deus panteísta, impessoal que é um símbolo, uma linguagem, etc, é algo razoável e interessante. Ser agnóstico me lembra do Robert Anton Wilson e como eu o admiro eu acabo por tabela admirando a posição do agnóstico.

E ser panteísta me lembra do Espinosa, que era um cara muito bonzinho e simpático. Então respeito os panteístas. Bom, eu respeito os ateus também, respeito tudo, embora no momento eu não lembre do exemplo de um famoso ateu bacana para citar, mas deve ter. 

Enfim, estou fugindo do assunto. Só queria dizer que eu simpatizo com a visão cristã do mundo porque eu a considero como uma poderosa contracultura para opor a cultura materialista e secularista do século XXI que não acredita em nada além da matéria e do ideal marxista de salvar os "proletários".

Eu gosto do aspecto conservador do cristianismo, mas o que significa ser conservador? Existem conotações positivas e negativas para esse termo. Eu gosto do termo conservador no sentido de conservar tradições positivas.

Por exemplo, o cristianismo conserva a tradição da família. Claro que família pode ser de vários jeitos: uma família de amigos, de dois homens, três mulheres, uma mulher ou homem e seus gatos/cachorros, etc. Mas ter uma família significa amar aqueles próximos de nós e ajudá-los em primeiro lugar.

Acho muito bonito quem se preocupa em ajudar os pobres ou as pessoas distantes de outros lugares passando necessidades e inclusive o cristianismo também se preocupou com isso e sempre fez doações aos pobres. Mas ele ensina que em primeiro lugar devemos amar e ajudar nossa família, nossos pais, nossos vizinhos, as pessoas próximas de nós. 

Não vejo nada de errado nisso. Se eu ganho dinheiro vou me preocupar primeiro comigo, com meus pais que sempre me ajudaram, com meus amigos próximos que sempre estiveram perto. Posso dar uma parte em doações para os pobres, mas a maior parte é para quem está perto.

Talvez você pense diferente, gaste seu dinheiro de outra forma ou defenda uma posição política que defenda isso. E isso também existe e existiu no cristianismo, pois desde seus primórdios os cristãos doavam todo seu dinheiro, dividiam tudo, seguiam Jesus, houve a formação dos mosteiros em que todos dividiam tudo, etc. Mas junto com isso sempre existiram famílias que optaram por conservar sua propriedade privada e doar apenas uma pequena parte. A maior parte era para si. E a mesma coisa houve no budismo, com a existência tanto de budistas monges como leigos. 

Não estou falando aqui de grandes ricos e milionários. Muitos defendem que o problema do mundo é a propriedade privada (em geral, ou somente a propriedade privada dos meios de produção). Tem um autor que gosto muito, G.K. Chesterton, que propôs o sistema do distributismo. Um dia falo mais dele. Ele defende que o problema não está na propriedade privada. Segundo o Chesterton, alguns socialistas criticam a propriedade privada porque alegam que o dinheiro está concentrado na mão de poucos. Mas com o socialismo você tira o dinheiro da mão desses poucos ricos e coloca na mão de menos pessoas ainda: aqueles que estão no governo de um sistema socialista. Não é uma contradição?

OK, o objetivo final é chegar a um sistema ideal comunista sem governo, mas isso ainda não se verificou. Até em mosteiros existem os abades e abadessas que administram o local. 

Eu pretendia falar nesse post sobre psicologia e mudei o tema para socialismo, mas tudo bem. Não é exatamente uma tragédia, já que os dois tópicos estão relacionados como filhos dos novos tempos que se desenvolveram bastante nos séculos XIX e XX.

Por mais que a visão da psicologia e do socialismo sejam interessantes, eu acho perigosíssimo reduzir a realidade somente a um ponto de vista e considerá-lo como a verdade absoluta. 

Sim, o cristianismo fez isso. Sim, ele é criticado até hoje por considerar a si mesmo como a verdade. Mas as mesmas pessoas que o criticam por isso também possuem suas verdades.

Se os cristãos acham que tudo que não vem de Deus vem do demônio, o inimigo do socialista é o capitalista, assim como o inimigo do burguês da época da Revolução Francesa era o feudalismo e a monarquia. E para quem acha que "tudo é psicológico" qualquer um que acredite em Deuses com existência fora da própria mente está vivendo apenas um mundo simbólico, alucinações, etc. Está "possuído pelo demônio" de suas ilusões infantis. 

Nessa visão o homem do Paleolítico era um grande imbecil, uma criança. Será que somos só um pouquinho arrogantes? Duvido que você consiga caçar como eles ou até pintar nas cavernas como eles. Nós que somos bebês. Se jogados no meio da selva, sobreviveríamos quanto tempo com nossos conhecimentos úteis de uma vida na cidade?

Hoje ninguém liga se eu defender o feudalismo e a monarquia, pois a maioria (incluindo eu) nem conhece a fundo o bastante disso para considerá-los dignos de maior análise. Eles são apenas ignorados como resquícios mortos de um mundo atrasado, obsoleto e superado, como a teoria da terra plana.

Os inimigos do homem do século XXI são o capitalismo (inimigo do Deus Marx) e os fanáticos religiosos (os inimigos do Deus do Relativismo e do "tudo é psicológico").

Ou seja, o inimigo são os "conservadores". Esses conservadores capitalistas que se preocupam primeiro com a mãe, o pai e os filhos, que desejam gastar muito dando boa educação para os filhos, dando presentes para as pessoas queridas para eles em vez de doar tudo para os pobres. Esses fanáticos religiosos que apesar de doar dinheiro para os pobres têm preconceitos contra gays e mulheres! 

Sabe qual é o problema? E eu vejo muito isso no Facebook. Todo mundo quer posar de salvador e defensor do mundo. É assim:

"EU sou um cidadão de bem. Eu trabalho, dou duro, ajudo a sociedade acordando cinco da manhã e pegando cinco ônibus, enquanto o INIMIGO capitalista político rouba e gasta o dinheiro do povo. Para completar, todas as pessoas ao meu redor, principalmente as religiosas, são homofóbicas, machistas, racistas, somente eu sou uma pessoa sem preconceitos, que trabalha honestamente para ajudar a sociedade e ainda faço doação para os pobres! Vejam como sou bom, vamos xingar, prender (e quem sabe até matar?) quem pensa diferente de mim, pois é óbvio que quem tem opinião diferente é mentiroso, hipócrita, ladrão e assassino"

Não estou dizendo que o sujeito acima não tenha um pouco de razão. É claro que temos problemas sociais gravíssimos, mas resolvê-los não é tão simples quanto agitar uma varinha marxista. É claro que Marx teve muito a contribuir com seus pensamentos políticos, mas ele não foi o único cara com teorias políticas de valor.

Então todo mundo que pensou teorias políticas diferentes antes estava errado, era burro ou atrasado? Há muitos filósofos, cientistas políticos, etc, que têm muito a contribuir se forem lidos e conhecidos.

Política, sociologia, economia, etc, são áreas complexas e não se salva o mundo com uma única solução que vai funcionar para todas as épocas, países e pessoas.

Até porque soluções materiais não são tudo o que as pessoas precisam. O mundo não funciona como uma pirâmide de Maslow. Para uma pessoa com uma doença terminal sem cura, por exemplo, a maior necessidade dela pode ser estar junto da família, dos amigos ou aprofundar sua espiritualidade. 

Muitas pessoas de classe média e alta não entendem a necessidade religiosa de pessoas realmente pobres e simples. Eles querem ser os defensores dos pobres e ao mesmo tempo acham que os pobres são ignorantes e que suas crenças religiosas são simplistas, atrasadas e preconceituosas, ou estão sendo enganados por padres/pastores. Eles se acham melhores do que as pessoas que supostamente querem salvar. Eles até mesmo colocam a si mesmos na posição de "salvador", mas às vezes têm mais problemas psicológicos, tristeza, depressão, etc do que esses pobres (muitos deles têm a força do consolo religioso, já conheceram a pobreza e o desemprego e não temem tanto isso como um fantasma que assombra a classe média).

Eu vejo isso tanto como um problema do socialismo quanto da psicologia. Deixando claro que aqui estou me referindo ao socialismo de Marx tal como chegou a nós por seus intérpretes (existem muitos "socialismos") e psicologia me referido à noção de que interpretamos a realidade por símbolos e que "tudo é psicológico" (existem muitas áreas complexas da psicologia que provavelmente vão além dessa noção). Talvez o termo correto que busco nesse post seja "psicologismo".

No socialismo devemos "salvar" os pobres de sua própria pobreza, ignorância e alienação. No cristianismo você se torna espiritualmente pobre por Cristo, pois Jesus foi pobre, a simplicidade é exaltada, os analfabetos podem ser salvos, etc. E o mesmo em relação aos mitos: Joseph Campbell comenta sobre isso em seu livro, sobre como às vezes vemos com simplicidade e desprezo as crenças dos outros povos. Para nós, são resquícios de um mundo atrasado e superado, que possuem certo encanto somente como arte. 

E no século XXI nós enfrentamos uma crise espiritual. Buscamos significado nas sombras, pois o capitalismo (que abafou os valores do feudalismo e do cristianismo) exaltou tanto o dinheiro que chegamos à conclusão que a única salvação da humanidade só podia ser financeira/econômica: forçosamente dividindo o dinheiro entre todos, com o materialismo proposto por Marx. 

É claro que a ideia do socialismo é interessante, assim como os modelos de interpretação da realidade dados pela psicologia. Mas eles também são ideias, paradigmas e não a verdade.

Estamos muito interessados em ocultismo na nossa época e esquecemos do valor da religião. Tentamos transformar ocultismo em ciência e fomos muito desajeitados. Então tentamos transformar o ocultismo em arte, mas se só tiver beleza e mais nada, pode ser nosso consolo? O consolo da filosofia (Boécio) e da arte são o bastante?

Estamos com medo da morte, da doença e da dor num mundo individualista e sem Deus cercado pelo dinheiro! E agora? Quem poderá nos ajudar? Marx? Chapolin Colorado? 

A morte, a doença e a dor não são nada perto do medo de ficar sem dinheiro e ser renegado pelo Deus do novo mundo. A ideia de ficar desempregado é como ser jogado fora da hierarquia social do mundo. Temos esses horror tão grande que o socialismo pareceu a única solução possível. Antes, com as classes sociais feudais já definidas, seja por Deus ou pelo diabo, não havia sempre um fantasma no seu ombro te ameaçando subir ou descer da hierarquia.

Qual é a solução para isso? Não sei, ou eu já teria conquistado um prêmio Nobel. Pelo menos eu não pretendo ter a solução. Não que o fato de eu não pretender me faça melhor. Talvez me faça pior, pois eu estou pretendendo que eu não pretendo que tenho a solução. Talvez vencer a morte seja mais fácil do que esse treco aí.  

Hhmmm.... vou parar por aqui. Teria muitas outras coisas a acrescentar, mas fica pra outro dia. Já é muita polêmica para um dia só, não acham? Eu estou me superando a cada dia.


Comentários

  1. ..."Por isso fui chamado de Trívio Insolente,
    por meu talento em gramática,retórica e dialética
    E fracasso em ética pragmática,
    escondendo o Sol
    do seu intento de fazer uma salada "
    ( Tábua de Verduras -WANJU DULI)

    Olá,Wanju.
    Sua exposição é ampla e exigiria uma reflexão mais longa.Mas, vou cometer o "pecado " de amarrar três tópicos que vc expôs:

    Cristianismo,psicologia e marxismo.

    Como vc disse ter preferência pela antropologia ,gostaria de explorar um aspecto cultural que moldou, engessou e "formatou" a mentalidade da sociedade ocidental-branca -judaica- cristã.
    Esse aspecto está ligado ao conceito de pecado original que dará origem à culpa e ao castigo.
    Sabemos que a culpa é resultado da desobediência ( livre arbítrio,kkkkkkk) de Adão e Eva e o castigo vem com a dor do parto e suor do trabalho.

    Fica claro,que o prazer ( sexualidade) e o trabalho são apresentados nessa tradição como uma consequência da queda do paraíso.Essa é uma herança do judaísmo ( que vc não se sente atraída) que dá base e sustentação ao cristianismo!

    Como vc se referiu a psicologia e ao marxismo , gostaria de lembrar que foram dois judeus que se propuseram a resolver o enigma da "queda"de Adão e Eva:

    Freud , na compreensão da origem da sexualidade e da culpa ( a famosa analogia com o mito de Édipo e a sexualidade infantil) e

    Marx com a revelação da origem do Capital na exploração da força de trabalho (mais -valia) e com sua transmutação na forma de dinheiro ( medida do trabalho geral,abstrato).

    A contribuição de Freud para a psicologia já está cravada na história da especie.O humano é o único animal que apresenta uma sexualidade bifásica ,ou seja, na primeira infância (dos 0 aos 4/5 anos aproximadamente) sua libido vai se desenvolvendo na medida de sua relação com a mãe/pai .Haverá um momento, chamado de castração simbólica (internalização da educação e valores da sociedade) ,que prepara a transição para a segunda infância ( 6/7 anos até os 11 anos ).

    Em Freud ,temos um sujeito dividido.Todos os desejos e pulsões da infância são profundamente reprimido para que ele seja capaz de se inserir na sociedade.É famosa a sua frase que resume bem esse processo :

    - O superego é o herdeiro do complexo de Édipo.

    Você que apresenta grande simpatia pelo cristianismo,responda-me:

    - O que é o cristianismo senão a submissão ,pela dor ( crucificação de Jesus), por amor e temor ao Pai ? Ou seja, o Édipo castrado .A pureza de Maria,dispensa comentários . Já é por demais conhecido a ojeriza pelos prazeres carnais.

    A dedução que se chega é que o amor cristão tem suas origens no fenômeno da CULPA e esta é o principal instrumento para submeter o rebanho.
    Foi Sigmund Freud quem revelou os inúmeros casos de histerias ,fobias e transtornos somáticos ( hoje tratados como curas em catarses neo pentecostais) que se apresentam como sintomas ( mascarados) e a analogia com os os sonhos ( a natureza VISÍVEL e "disfarçada" DA MENTE ).

    Sobre Marx eu já escrevi algo em outro cometário. Só gostaria de corrigir uma distorção em seu texto que transcrevo abaixo :

    "única salvação da humanidade só podia ser financeira/econômica: forçosamente dividindo o dinheiro entre todos, com o materialismo proposto por Marx. "

    Isso não corresponde de maneira alguma ao pensamento de Marx.
    Marx aponta a necessidade de ABOLIR a forma DINHEIRO COMO VALOR DE TROCA, ou seja o próprio sistema capitalista.O Capital virou uma espécie de SERVIDOR ( termo caoista) que ganhou vida própria e domina a humanidade. Como dizia Marx " A CRIATURA DOMINA O CRIADOR".
    É disso que se trata.

    Att, de seu grande admirador de sempre

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    1. Ahá, tá lendo o Grimório da Insolência! (eu escrevo tantos livros que sempre me sinto orgulhosa quando identifico de qual livro é determinado texto hehe) :)

      Eu não entendo muito nem de psicologia e nem de marxismo, então eu suspeitei que eu cometeria algum erro no meio do caminho. Aliás, tenho a tendência a achar que não gostamos muito de coisas que não entendemos bem a fundo (daí minha simpatia apenas ligeira por esses dois grandes temas, que certamente quando explorados a fundo devem ser fascinantes, assim como toda área do conhecimento quando estudada em profundidade).

      Pois então, acho que Freud e Marx bolaram teorias inteligentes e originais. O problema é quando passamos a interpretar a realidade o tempo todo apenas a partir delas. Aí passamos a achar que todo mal do mundo tem origem na sexualidade reprimida ou na existência de classes sociais! Eu sinceramente acredito que o mundo e a mente humana são muito mais complexos e interessantes do que essa redução.

      Claro que quando analisadas no seu todo essas teorias têm um sentido. Mas... tem muito mais do que isso! A crítica central do meu texto é que no século XX e XXI interpretamos a realidade a partir dos paradigmas em voga nesses séculos. Isso é meio óbvio, mas olhar as coisas somente a partir deles pode fazer com que deixemos de descobrir várias outras formas interessantes de ver o mundo. Foram criadas tantas antes do século XIX!

      A questão é que muitas pessoas ao meu redor parecem achar que a psicologia "substitui" religião e que se o socialismo substituísse o capitalismo todos os problemas do mundo estariam resolvidos.

      Já eu acho que psicologia e religião lidam com áreas diferentes e cada uma possui seu papel. E acho que tanto capitalismo quanto socialismo possuem coisas boas a nos ensinar, mas talvez precise ser criado um sistema melhor no futuro, pois tanto um como o outro possuem problemas. Ainda assim, acho que a questão central é que no socialismo como haveria liberdade para protestar se a população não concorda com o governo? Como haver democracia?

      Sobre a questão da culpa, minha experiência com o cristianismo é que os cristãos exaltam muito mais a possibilidade de salvação e redenção do que a culpa. Quem fica preso demais na questão da culpa cristã em geral se sente preso nessa religião e não gosta dela. Tem como ver a religião de forma positiva e negativa dependendo do foco que a pessoa escolhe colocar: na morte na Cruz ou na ressurreição, sendo que a segunda é mais importante e uma notícia alegre.

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  2. Muito interessante. Realmente quando se tenta reduzir o Todo para conceitos utilizados para alguns sistemas de abordagem fica bem complicado. Eu particularmente me interesso muito pela psicologia, mas não concordo completamente com vários autores. Depois de muito tempo, estou tendo uma visão melhor do cristianismo, quando deixei de ver pela ótica dos cristãos e realizei uma abordagem mais pessoal. Não posso julgar pela maioria pois se contradiz muito com seus atos, deixando a busca espiritual e o amor fraterno apenas para as missas de domingos, carregando culpa durante a semana e se livrando dela no confessionário, ad eternum. No mais aguardo outros post sobre o assunto.

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    1. Obrigada! Eu tenho um blog inteiro apenas sobre cristianismo. Como dizem: "o problema do cristianismo são os cristãos, o problema da wicca são os wiccanos, etc". Ou, como também já ouvi: " o problema do mundo é o ser humano" hahaha! Ninguém é perfeito e não existe sistema de pensamento/crença perfeito. Mas podemos tirar coisas boas de vários deles.

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