Vaticano proíbe hóstia sem glúten, e agora Wanju?




Obaaaaaaa achei um assunto polêmico para comentarrrr!! Muito obrigada, Igreja Católica, você sempre me enche de alegria, por isso te amo tanto!

No último livro do Ramsey Dukes (um dos mais famosos autores de magia do caos), o MYOMT, o autor comenta que embora seja um grande fã da teoria da seleção natural, ele se sente satisfeito que a Igreja seja uma das únicas instituições hoje que apresenta uma versão alternativa à teoria vigente.  

É verdade que na Idade Média a versão da Igreja sobre tudo era a "teoria vigente". Por isso naquela época a graça era contestá-la. Mas agora isso mudou. Embora mais da metade do mundo ainda seja cristã ou muçulmana, a visão vigente principalmente em países ricos e na classe média, alta e científica de todos os países é o positivismo. 

Não adianta: Darwin é a "moda" já faz muito tempo. É claro que devemos respeitar o Darwin e estudar a teoria dele. No entanto, a ciência, como apresentada por Thomas Kuhn e Karl Popper, é ela própria uma "seleção natural" na qual não vence a melhor teoria ou a verdadeira, mas a teoria que ganha aceitação cultural na época em que vivemos.

É importante estudar as teorias vigentes, mas também é importante tentar encontrar alternativas, pois existem progressos muito maiores no pensamento humano nas épocas de mudança de paradigma. Não porque o novo paradigma é melhor que o anterior, mas porque existe debate sobre as vantagens e desvantagens de cada um.

É claro que a ciência não é afetada só pela ciência, mas também pela filosofia (afinal, foi dentro dela que nasceu o método científico), pela arte, pela religião, por muitas áreas do saber. A ciência tornou-se o novo Deus, então para impedir que ela se torne o análogo ao Deus cristão (na verdade já se tornou há muito tempo) nada melhor que o próprio cristianismo para mostrar que ele ainda continua vivo e que Deus não está morto coisa nenhuma! Ele apenas mudou de forma e agora se chama "Ciência" e continua enganando eu, você e muitos outros (teoria da conspiração!!).

Calma, calma, eu acredito na ciência, mas é até engraçado usar o termo "acredita" já que também é uma questão de fé. Sim, a ciência tem evidências e eu concordo que ela funciona, assim como o Deus cristão funciona para quem está sofrendo, assim como os sigilos da magia do caos funcionam.

Enfim, esse não é um post sobre ciência, então eu vou parar por aqui e voltar a falar de cristianismo antes que eu me empolgue de novo. Meu Deus, tem tanto assunto que eu gosto num post só, vou começar a gritar e dançar a rumba!

Pra início de conversa eu nem tava sabendo dessa história da hóstia. Minha mãe que comentou hoje, do tipo: "Ó, Ju, tu que gosta de catolicismo". Na verdade minha mãe é católica, mas uma "católica não praticante". Ela vai pra missa uma vez por ano no dia de São Francisco de Assis porque é o dia dos animais e ela adora animais (e curiosamente também é o dia do aniversário dela).

Mas deixando minha mãe de lado (não, mamãe, não quero te deixar de lado, eu te amo tanto!! Quero ser uma anti-freudiana e amar minha mãe e odiar meu pai. Não, não, eu amo papai também, não vai dar certo), umas duas horas atrás fui informada dessa história da hóstia. Não sei se isso é recente ou não, mas vou falar sobre isso porque é um pretexto pra falar de cristianismo, embora eu não precise de nenhum pretexto pra isso. Depois de ler tantos livros tenho que aproveitar pra compartilhar o que aprendi.

Quem deseja ler uma opinião séria (que não é o caso da minha? sdshdushds) e interessante sobre essa polêmica da hóstia, dada por um especialista, recomendo o site desse padre. Eu uma vez comprei um livro dele e gostei. Li o que ele escreveu nesse post (mas não vi o vídeo) e pelo que entendi pessoas que não podem consumir a hóstia por causa do glúten podem ainda comungar com vinho.

Sempre que há qualquer polêmica envolvendo a Igreja católica, por menor que seja, há um turbilhão de compartilhamentos no Facebook e pessoas criticando, chamando a Igreja de hipócrita, etc. Sobre isso e mais um monte de assuntos.

Devo dizer que acho esse fenômeno fascinante. Em primeiro lugar, as pessoas não percebem, mas elas mesmas ainda levam a Igreja católica muito a sério, já que se dão ao trabalho de compartilhar no Facebook a opinião do papa atual ou do papa emérito (aliás, o Bento XVI é meu papa favorito e um teólogo extraordinário, já li vários livros e encíclicas dele).

Se as pessoas realmente achassem que a Igreja católica não importa, iam simplesmente ignorar os pronunciamentos do Vaticano. O Vaticano não é um governo de um país importante, mas possui enorme influência até sobre os ateus. Em parte, a raiva das pessoas pelo catolicismo demonstra que eles sinceramente se incomodam que algo tão "antiquado" ainda sobreviva num mundo em que um novo Deus (a Ciência) já superou o antigo. A briga de deuses continua, incluindo a briga do "meu Deus é melhor que o seu".

Qualquer pessoa que se dê ao trabalho de estudar história da filosofia e história da ciência vai perceber que nem sempre as pessoas enxergavam o mundo como o vemos hoje. Hoje nós temos a certeza metafísica de que o mundo material é real e de que não estamos numa Matrix, embora não exista nenhuma comprovação disso.

Calma, vou parar por aqui senão esse vai virar um post de filosofia. Eu também já li mais de cem livros de filosofia, então eu tenho a tendência de dar um discurso de mil páginas quando o assunto é esse e tenho algumas dezenas de filósofos cristãos para citar. Aliás, tenho as citações de todos eles nos meus blogs para colar quando precisar.

Eu não acho que citar o nome de um cara famoso seja grande coisa, mas parece que as pessoas levam isso muito a sério, então eu gosto de brincar desse jogo de "quem faz mais citações fodas", por isso reuni meu arsenal de resenhas para quando eu quiser brincar desse jogo infantil. Eu disse que eu sou uma criança. O fato de eu contar o número de livros que li e repetir isso o tempo todo comprova isso. 

Obviamente não faz tanta diferença livros lidos, já que eu acredito mais em experiência de vida para nos ensinar lições, mas como as batalhas atuais não são mais de espadas, mas sim de palavras, você luta com a arma da sua geração. Se eu fosse muito boa com espadas ia ter pouca gente ao redor para brincar comigo. Eu só ia ficar sentada na cadeira e ninguém ia me convidar para o time de vôlei.

Não que eu me importo tanto com isso, já que eu quis fazer uma piada e jogar um jogo muito antigo chamado cristianismo que pouca gente ao meu redor jogava. Só que eu comecei a levar o jogo muito a sério.

Pois então, voltemos a falar da hóstia senão eu não vou sair daqui hoje!!

Meu ponto inicial, portanto, foi que as pessoas ainda dão muito crédito para a Igreja católica sem se darem conta. Elas realmente se importam com o que a Igreja diz e ficam brabas! Por quê? Um governo de um país pode instituir uma lei que você é obrigado a seguir, mas os dogmas da Igreja segue quem quer!

É compreensível que as pessoas se enfureçam com política, pois afeta a vida diária delas, principalmente a econômica, que é algo que nossa época leva mais a sério do que qualquer outra, aparentemente. "Você não pode servir a dois senhores, não pode servir a Deus e ao dinheiro" diz a Bíblia e as pessoas continuam a seguir esse dogma. Largaram o Deus cristão e agora seguem o Deus dinheiro, em vez de seguir os dois. Será que foi um avanço? Não sei.

A liberdade religiosa não existiu em todas as épocas e países e até hoje ela é ameaçada. Eu sou a favor da liberdade religiosa, mas em parte eu entendo algumas leis de países muçulmanos que são baseadas no Corão. Por exemplo, o Corão proíbe beber e a proibição de beber costuma gerar menos acidentes de trânsito. OK, mas aí eu vou começar a falar sobre as vantagens e desvantagens da proibição ou legalização das drogas (ou do aborto) e vamos fugir do assunto!!

Eu só queria ressaltar que países muçulmanos em que religião e política se misturam é algo extremamente criticado e mal compreendido. Realmente pode ser um problema essa mistura, mas ela existe por uma razão que eu não poderei explicar aqui porque senão meu post vai virar um sutra budista (os sutras são mais de dez vezes maiores que a Bíblia).

Hoje, na maior parte dos países ocidentais, a religião (no caso, a cristã) é uma opção e não uma imposição. Quem não está satisfeito com os dogmas católicos possui toda a liberdade de mudar de religião. Inclusive, dentro do cristianismo há incontáveis opções, incluindo o cristianismo anglicano que celebra casamentos gays, que ordena padres gays, que aceita mulheres padres, contraceptivos e muitas outras coisas.

Sendo assim, não coloque todos os protestantes no mesmo saco. Se você busca um tipo de cristianismo mais liberal, opções não faltam. Inclusive existem cristãos tão liberais a ponto de usar o cristianismo apenas como símbolo, metáfora, etc, e nem eles acreditam mais em nada daquilo porque eles acreditam nos valores do século XXI.

Eu costumo gostar mais do catolicismo e do cristianismo ortodoxo (principalmente o russo), embora eu também respeite várias vertentes dos protestantes, a exemplo dos já citados anglicanos (C.S. Lewis me fez gostar deles), dos Quakers (Tolstói me fez gostar deles), luteranos e outros.

Mas se é pra ser liberal, será que tem graça ser cristão? Para algumas pessoas sim. Para mim, se estou no paradigma cristão gosto de experimentar ser conservadora em vários pontos, pois faz parte do pacote.

Como eu já disse no primeiro parágrafo do post, eu adoro várias polêmicas que a Igreja levanta. Ela nos mostra que não vivemos num mundo de certezas científicas, mas que existem outras forças e paradigmas atuando para exercitar nossa capacidade de pensar e de questionar.

Antes a Igreja representava as ideias estabelecidas, mas hoje ela é exatamente a contracultura que questiona a cultura positivista vigente. Como eu gosto de ser do contra (não pelo prazer de ser do contra, mas pela paixão de refletir sobre as coisas e não apenas aceitar as opiniões da moda na nossa época), eu me identifiquei com várias ideias da Igreja.

Ao ler autores do cristianismo primitivo e do cristianismo medieval, fiquei fascinada não só com a forma de pensar dessas pessoas, mas de viver. Hoje temos muitos filósofos que só ficam sentados tomando café. E devo ressaltar que não há nada de errado em ficar sentado, eu mesma adoro, embora eu trocasse o café pelo chá.

Na Grécia antiga muitos filósofos também viviam suas próprias filosofias, como Diógenes, mas a maioria deles (Sócrates, Platão, Aristóteles) eram aristocratas ricos com escravos e que não precisavam trabalhar para se sustentar e criticavam os sofistas, que eram em sua maioria estrangeiros, porque cobravam para ensinar. 

Eu diria que a Igreja católica (juntamente com algumas religiões indianas) criou um tipo de sistema socialista genuíno em que a sociedade não é obrigada a ser igual por imposição do governo como em alguns socialismos e comunismos do século XX (falarei mais deles em meu post sobre política).

As pessoas largavam tudo e iam morar em mosteiros por livre vontade. Houve tantos mosteiros na Idade Média que muitos deles tinham mais de mil monges e houve inclusive cidades inteiras apenas com população de monges.

A Idade Média foi uma época de ouro para a valorização da agricultura, do trabalho no campo. Hoje em dia as pessoas querem morar nas cidades, comem coisas industrializadas que mal se parece com alimento e porque pouca gente mora no campo a comida e o transporte para as cidades fica muito caro. Falarei mais sobre o sistema social e político de G.K Chesterton, o distributismo, inspirado no feudalismo, no meu post sobre política.

Por isso eu costumo dizer: capitalismo ou socialismo? Que nada! Queremos feudalismo! (eu falo disso como piada, mas tenho bons argumentos em sua defesa que falarei no outro post).

Calma que eu já vou chegar na questão da hóstia, sdhushdus.

Por que o cristianismo possui essas regras que nos parecem sem sentido? Por exemplo, no catolicismo somente homens podem ser padres, gays não podem casar na igreja, não se pode abortar, etc.

Confesso que a questão do aborto é uma das que me parece mais fácil de entender. Mas eu optarei por não entrar nesse assunto a fundo aqui. Irei apenas falar superficialmente de um dos argumentos, que é a questão que temos uma alma. São Tomás de Aquino disse que a alma só chega ao corpo depois de alguns meses, mas ele não foi o único teólogo da Igreja.

Agora entrarei num dos pontos mais importantes do post e peço toda sua atenção.

Hoje em dia nós usamos um raciocínio parecido com a magia do caos: somos pragmáticos, usamos o que funciona. Isso é um pensamento bem científico. Não estamos preocupados com a verdade. Os sentimentos tampouco são algo central, que só ganharam alguma atenção com os direitos humanos após a Segunda Guerra Mundial.

A Igreja é hierárquica: primeiro vem a Santíssima Trindade, depois Maria, depois os anjos, depois os humanos. No século XXI queremos quebrar as hierarquias e queremos que todos sejam iguais. 

O cristianismo também tem um pouco disso quando clama que todos são iguais diante de Deus. Mas isso porque temos uma alma imortal.

Eu sou apaixonada pelo conceito de alma porque acredito que isso é uma das coisas que mais confere dignidade à humanidade. Ele mostra que você é mais do que um corpo animal que morre. Eu acredito que é o conceito de Deus, alma e eternidade (Kant costumava citar esses três para apoiar seu imperativo categórico) que mais dá embasamento a um pacifismo completo, como o de Gandhi (hindu), Tolstói (cristão) e Martin Luther King Jr. (pastor batista) pois todos defenderam o pacifismo com base na religião.

Se você só tem essa vida e esse corpo e alguém ataca sua vida ou a vida do seu amigo, você vai querer machucar ou matar o inimigo para defender a si mesmo ou as pessoas que ama. Mas se existe Deus e alma você tenderá a acreditar mais que vale mais a pena morrer do que matar outra pessoa. Afinal, há outra vida depois dessa (para saber mais sobre isso, sugiro o livro "O Reino de Deus está em Vós" de Tolstói).

O cristianismo acredita literalmente em alma. Não é apenas um símbolo. E eu acho isso muito poderoso.

Eu mesma acredito literalmente em Deus, alma e vida após a morte. Não acho que isso seja um símbolo ou metáfora, mas que existam realmente e sejam tão reais quanto o amor. Eu acredito que o amor seja mais real que uma cadeira. Eu posso tocar uma cadeira com meus sentidos físicos e essa é a única comprovação que sugere que ela existe. Mas o amor eu sinto com todo meu ser, com meu espírito. Isso o torna mais real para mim do que uma mera comprovação material. Para mim, materialidade não é necessariamente sinônimo de realidade.

Mas a matéria é importante. O cristianismo é uma religião que valoriza tanto a alma quanto a carne. Cristo morreu por nós e o ensinamento cristão é imitar Cristo.

Cada pessoa nasce diferente: homem, mulher, heterossexual, gay, negro, branco, pode ter alguma diferença física ou mental, enfim. Para o cristianismo, todos esses são estados dignos, mas que possuem um plano diferente na ordem da criação. Teresa de Lisiex explicava isso dizendo que Deus gosta de ter um jardim com muita diversidade, com flores pequenas (os humildes e simples) e grandes (os santos), de diferentes cores, etc.

Quando o catolicismo diz que homens podem ser padres e mulheres não, isso não significa que a mulher é deixada de lado, já que ela também pode ser um milhão de coisas (freira, monja, leiga, etc). Mas nós sempre queremos ser o que não podemos ser e nunca estamos satisfeitos até abraçarmos o mundo inteiro e estarmos acima de Deus, como Lúcifer.

A maior lição do cristianismo é a humildade. O cristianismo nos ensina a sermos humildes. Há um Deus maior para nos contentarmos em sermos menores. Há anjos acima de humanos para que os humanos se contentem em ser menores. Há animais menores que humanos para que os humanos amem e protejam os animais (como São Francisco de Assis), como Deus protege os humanos. Não importa a ordem da hierarquia. Importa que a Bíblia diz que os últimos serão os primeiros, que aquele que será o maior é exatamente o que tenta ser o menor de todos. Nesse caso, a hierarquia é um símbolo de liberdade e não de aprisionamento, pois é porque há alguém maior que você tem a oportunidade de tornar-se menor (ser menor é prêmio e não punição).

É claro que isso é um golpe forte no ego do século XXI em que todos buscam a independência americana, independência financeira, de gênero, sexual e em todos os sentidos. Na Idade Média era comum as pessoas largarem tudo porque não queriam estar no topo de nada, daí surgiram os mosteiros.

Claro que juntamente com isso surgiu uma hierarquia no clero: papas, cardeais, bispos, etc, cuja função principal era administrativa, mas o ser humano tem paixão por poder e é fácil se corromper quando o poder está nas mãos.

E agora finalmente chegamos na hóstia (aeeee conseguiii?). O fato de haver algumas pessoas que não podem comer a hóstia (por exemplo, quem está em pecado mortal ou agora quem tem doença celíaca) e outras que podem, não significa que quem pode está acima de quem não pode.

Existem missas dadas apenas para prostitutas. Quem não pode comungar corporalmente, sempre pode comungar espiritualmente e se sentir grato pelas pessoas que podem comungar (a propósito, quem quer saber a diferença entre pecado mortal e venial há a encíclica Veritatis Splendor, mas o cristianismo ortodoxo não adota essa diferença). 

A ideia é esse ser um exercício de humildade e não de injustiça. Claro que muitas pessoas acham várias regras do catolicismo um absurdo. Por exemplo, não poder usar contraceptivos, ou não poder se divorciar: se você se divorcia e se casa se novo, enquanto não se separar dessa nova pessoa está em pecado mortal e não pode comungar.

Mas aí vem a questão: essa pessoa pode participar de missas e de todas as outras atividades da Igreja. Ainda pode ir para o céu. Mas nós queremos fazer exatamente a coisa que não podemos: comer do fruto proibido mesmo que todos os outros frutos do jardim sejam permitidos.

Eu repito que do ponto de vista católico todas essas proibições são exercícios de humildade. Deus escolheu que você nasceria homem, mulher, gay, negro, branco, etc e cada tipo de nascimento possui regras a serem seguidas. Algumas valem para todos, como não mentir e não matar e outras são específicas para cada pessoa e situação.

A ideia é que Deus quer ver o que você vai fazer dentro da situação em que se encontra. Alguns nascem ricos, outros pobres, mas Jesus diz na Bíblia que a mulher pobre que doou uma única moeda doou mais do que os ricos que doaram grandes quantidades, pois era tudo que ela tinha.

Os marxistas, por exemplo, usam isso para dizer que religiões são uma forma de as pessoas se contentarem com as classes sociais nas quais se encontram. Mas eu vou dar argumentos quanto a isso no meu post de política.

Um gay que quer ser católico, por exemplo, poderá sofrer muito, pois não poderá casar na igreja com alguém do mesmo sexo e terá que se abster de sexo por toda a vida. Se ele quiser casar na igreja, ter uma vida sexual normal, etc, ele poderá se tornar, por exemplo, anglicano, mas não católico. A não ser que ele queira fazer tudo isso e não comungar.

Um gay pode morar com outro cara, fazer sexo com ele sempre, etc e ser católico, frequentando missas e todas as atividades. A única diferença é que na hora da comunhão ele comunga apenas espiritualmente.

Entendem? A Igreja católica não proíbe nada, apenas aconselha o que diz a tradição. Essa tradição muda de tempos em tempos, mas lentamente.

Olha só, vou explicar de novo a questão dos gays pra ficar bem claro:

Opção 1: Você pode ser gay, católico, fazer sexo com quem quiser e como quiser, ir pra missa todo domingo e comungar. A igreja não recomenda comungar porque a pessoa estaria em pecado mortal, mas isso vai da consciência de cada um. Ninguém sabe como Deus realmente julga as pessoas. 

Opção 2: Você pode ser gay, católico, fazer sexo como quiser, etc, ir pra missa todo domingo mas ANTES de cada missa se confessar com o padre. A confissão te libera do pecado mortal e você pode comungar. Quando fizer sexo outra vez, tem que confessar de novo. É um bom truque, hã? 

Opção 3: Gay, católico, sexo com quem quiser, vá pra missa, leia mil livros de catolicismo, faça retiros, tudo é liberado. Só não comungue corporalmente, apenas espiritualmente. O resto tudo você pode fazer!!

Opção 4: Vire anglicano ou outro tipo de protestante e facilite sua vida.

Só estou citando a opção quatro para lembrar que é possível ser um cristão do século XXI totalmente liberal.

Ah, e você pode se tornar cristão ortodoxo, já que eles não têm essa diferença entre pecado mortal e pecado venial! O cristianismo ortodoxo é tão antigo quanto o catolicismo e possui argumentos tão fortes quanto ele para validar seus dogmas. Pessoal LGBT, achei uma religião cristã legal para vocês. Eu mesma adoroooo o cristianismo ortodoxo. Eles só fazem muito jejum, heheh!

Agora, se o assunto é catolicismo, há restrições mais severas. Eu já acompanhei alguns blogs de gays católicos que diziam que amavam o catolicismo e que estavam prontos a seguir todas as restrições.

Existem pessoas hoje em dia que nem ligam pra sexo e nem pensam em se casar. Para essas pessoas, caso sejam gays, ser católico não é difícil. Da mesma forma, ser um casal católico de 80 anos sem vida sexual ativa também é fácil. Na verdade, basta ser uma mulher com 50 ou 60 anos, após a menopausa, que ser católico é fácil, já que você pode fazer sexo o quanto quiser sem contraceptivo com o marido que não irá gerar filhos. 

Eu adoro o catolicismo, mas confesso que não gosto muito dessas proibições em relação a gays. De certo ponto de vista, não comungar é uma proibição pequena, mas é preciso entender que para um católico a comunhão é muito importante. É a parte central da missa e da vida cristã.

Eu, como mulher, sinceramente dou pouca importância para as restrições existentes no catolicismo em relação a mulheres. Mas entendo que há mulheres que se importam e respeito isso. Da mesma forma, há gays que não ligam para as restrições católicas e há aqueles que ligam.

Eu pessoalmente acho poderoso que existam mulheres e gays que defendam o catolicismo. O catolicismo precisa de mais voz de mulheres, gays e leigos em seu meio, já que costuma ser dominada apenas por padres. Sinceramente, quando leio um gay escrevendo coisas altamente fodas sobre cristianismo, eu não dou a mínima se ele faz sexo ou não ou se está em pecado mortal. Ninguém precisa ser "perfeito" (do ponto de vista do catolicismo) e não existe ninguém que não cometa algum tipo de pecado. A palavra "pecado" está meio fora de moda hoje, mas eu gosto dela exatamente porque provoca a ideia relativista de que não existe certo e errado, bem e mal. 

A ideia é que cada um encare sua restrição como uma oportunidade de imitar Cristo e carregar sua cruz. Mas por que a cruz de alguns tem que ser mais leve e a de outros mais pesada? É difícil alguém com a mentalidade do século XXI entender isso, principalmente quem nega destino e acredita que um dia a ciência vai resolver tudo, até mesmo a morte. 

Também vale ressaltar que a Igreja dá menos importância a pecados sexuais do que nós pensamos. No ranking dos pecados capitais, luxúria está lá embaixo. Orgulho e inveja são os mais graves (os pecados de Lúcifer. Ou "por que não posso subir na hierarquia e ser padre ou cardeal e os homens podem? Ou todos podem, ou ninguém pode". A ideia de querer acabar com hierarquia não por compaixão de quem está embaixo, mas por desgosto de não estar no alto). Aliás, ser ocultista e fazer magia é um pecado mais grave do que fazer sexo fora do casamento ou usar contraceptivos, hehe. Isso faz sentido, porque sexo é algo da carne, mas mexer com espíritos vai além da esfera da carne e lida com o mistério de Deus.

Enfim, gente, o objetivo desse post não foi dizer que tudo que o cristianismo ou a Igreja católica faz está certo. Eu mesma não concordo com tudo. Há vários debates teológicos quentes sobre muitos tópicos.

Mas continuo achando fascinante que esses debates tenham importância. E eles têm mesmo! Se consideramos importante debater se Bentinho traiu ou não a Capitu, por que não podemos debater o glúten da hóstia? É uma boa lembrança de que comida não serve apenas para satisfazer o paladar ou dar saúde, mas também carrega significados espirituais, numa comunhão nossa com a natureza e com Deus.

Aguardem meu post sobre política que vai ser ainda mais polêmico!



Comentários

  1. Ortodoxia e LGBT? Tem certeza? O Patriarca Kirill comparou o casamento gay à lei nazista, se você pudesse esclarecer o que você quis dizer nesse ponto.

    PS: Nossa, Bentinho e Capitu? De que baú velho e empoeirado vocÊ tirou essa referência de Dom Casmurro? rsrs pior que eu agora estou curioso....na sua opnião, traiu ou não traiu? rsrs

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    1. Justo, vou explicar o que eu quis dizer com a posição do cristianismo ortodoxo sobre LGBT. Não acho que eles sejam muito diferentes dos católicos nesse ponto. Minha única ressalva é a seguinte: no cristianismo ortodoxo não há a separação de pecado venial e pecado mortal. No catolicismo, toda vez que a pessoa comete um dos pecados classificados como mortais (matar alguém, abortar, se masturbar, fazer sexo fora do casamento e muitos outros itens de uma lista com alguns itens meio arbitrários mantidos principalmente por tradição) ela deve obrigatoriamente se confessar para um padre antes de poder comungar. Mas pelo que eu entendi (não sei muito a fundo sobre cristianismo ortodoxo) para os ortodoxos você deve se confessar quando um pecado pesa muito na consciência, então não teria a restrição sobre não poder comungar caso a pessoa cometa pecados específicos. Ela é orientada a se confessar regularmente, mas não há uma lista de pecados obrigatórios a serem confessados. Em tese, isso significaria que uma pessoa (seja hetero, gay, etc) que cometa um pecado que o catolicismo chama de mortal ainda assim possa comungar, a não ser que ele pese na consciência.

      Eu acho que ela não traiu, porque teria mais graça a história se ele pensasse que ela traiu e no fundo não traiu. Mas tem mais graça ainda o mistério de o autor não ter revelado.

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    2. Entendi seu ponto, é, eu também não sei quase nada sobre ortodoxia.

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  2. Ah outra coisa que tinha esquecido, bom eu não frequento a Igreja faz um tempo, mas se bem me lembro a "opção 2" que você descreveu ali é inválida, pois requisito básico da confissão é o arrependimento, não sei se você foi irônica nessa parte ou não, fato é que a Igreja pensou até no famoso jeitinho brasileiro né ahahahah

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