Os Erros Fatais do Socialismo, por F.A. Hayek (parte 2)




Leia a parte 1 também.

"Costuma-se objetar que a instituição da propriedade é egoísta, pois beneficia apenas os que a possuem, e que na verdade ela foi 'inventada' por pessoas que, tendo adquirido algumas posses individuais, desejavam, para exclusivo benefício próprio, protegê-las dos outros. Essas ideias, que sem dúvida subjazem à indignação de Rousseau e à alegação dele de que nossos 'grilhões' nos foram impostos por interesses egoístas e exploradores, deixam de levar em conta que o tamanho da nossa produção global é tão expressivo apenas porque, por meio do intercâmbio no mercado de propriedades separadamente possuídas, podemos utilizar conhecimentos amplamente dispersos de fatos específicos a fim de alocar recursos separadamente possuídos. O mercado é o único método conhecido de fornecer informações que habilitam os indivíduos a julgar as vantagens comparativas de diferentes usos dos recursos de que têm conhecimento imediato e por meio de cujo uso, pretendam ou não fazê-lo, satisfazem às necessidades de indivíduos desconhecidos e distantes. Esse conhecimento é em essência disperso e não é possível coletá-lo e transmiti-lo a uma autoridade encarregada da tarefa de criar ordem de modo proposital.
Assim, a instituição da propriedade separada não é egoísta, tampouco foi, nem poderia ter sido, 'inventada' para impor a vontade dos proprietários aos restantes. Ao contrário, em geral ela é benéfica pelo fato de transferir a orientação da produção das mãos de alguns indivíduos que, quaisquer que sejam suas pretensões, têm conhecimentos limitados, para um processo, a ordem ampliada, que faz o máximo uso do conhecimento de todos, beneficiando assim os que não possuem propriedades quase tanto quanto aqueles que possuem.
Mas esse argumento também é contestado, até ridicularizado, por ser considerado uma desculpa egoísta das classes privilegiadas"

 "O dinheiro, a verdadeira 'moeda' de interação comum, é pois, a menos conhecida de todas as coisas e - talvez junto com o sexo - objeto das fantasias mais irracionais; e, como o sexo, ao mesmo tempo fascina, intriga e repele. A literatura que versa sobre essa matéria talvez seja mais ampla do que aquela dedicada a qualquer outra; e sua leitura faz com que as pessoas se sintam levadas a concordar com o escritor que há muito tempo declarou que nenhum outro tema, nem mesmo o amor, levou mais homens à loucura. 'O amor ao dinheiro', declara a Bíblia, 'é a raiz de todos os males' (I Timóteo, 6:10). Mas a ambivalência a respeito dele talvez seja ainda mais comum: o dinheiro aparece como o mais poderoso instrumento de liberdade e o mais sinistro instrumento de opressão. Esse que é o meio de troca mais amplamente difundido evoca todo o mal-estar que os indivíduos sentem em relação a um processo que não podem compreender, que amam e odeiam ao mesmo tempo e de cujos efeitos desejam com tanta intensidade alguns ao passo que detestam outros que são inseparáveis dos primeiros"  

"É difícil de acreditar que qualquer um que entenda o mercado de maneira correta possa condenar honestamente a busca do lucro. O desdém pelo lucro se deve à ignorância e a uma postura que, se quisermos, podemos admirar no asceta que preferiu contestar-se com uma pequena parcela das riquezas deste mundo, mas que, quando posta em prática na forma de restrições aos lucros de outrem, é egoísta na medida em que impõe aos outros o ascetismo e, aliás, privações de toda espécie"

"Se perguntarmos o que os homens devem, antes de tudo, às práticas morais dos chamados capitalistas, a resposta é: suas próprias vidas. A literatura socialista que atribui à existência do proletariado à exploração de grupos que já eram capazes de se manter é totalmente ficcional. A maioria dos indivíduos que hoje constituem o proletariado não teria condições de existir se outros não lhes proporcionassem meios de subsistência. Embora essas pessoas possam se sentir exploradas, e os políticos possam estimular esses sentimentos e jogar com eles para ganhar poder, a maior parte do proletariado ocidental e dos milhões que vivem no mundo em desenvolvimento devem sua existência às oportunidades que os países avançados criaram para ela. Nada disso se limita aos países ocidentais e ao mundo em desenvolvimento. Os países comunistas, como a Rússia, estariam morrendo de fome hoje se suas populações não fossem mantidas vivas pelo mundo ocidental - embora os líderes desses países jamais venham a admitir publicamente que nós só podemos sustentar a atual população mundial, inclusive a dos países comunistas, preservando e melhorando com sucesso a base da propriedade privada que torna possível nossa ordem ampliada"

"Devemos em parte às crenças místicas e religiosas, e, creio, particularmente às principais crenças monoteístas, o fato de as tradições benéficas terem sido preservadas e transmitidas, pelo menos durante tempo suficiente para possibilitar que os grupos que as seguiam crescessem e tivessem a oportunidade de espalhar-se mediante seleção natural ou cultural. Isso significa que, gostemos ou não, devemos à persistência de certas práticas, e a civilização que delas resultou, em parte ao apoio de crenças que não são verdadeiras - nem verificáveis e testáveis - no mesmo sentido em que são os enunciados científicos e que, com certeza, não são resultado de argumentação racional. Às vezes penso que seria apropriado chamar pelo menos algumas delas de 'verdades simbólicas', uma vez que de fato ajudaram seus adeptos a 'frutificar e multiplicar-se, e encher a terra e sujeitá-la' (Gênesis 1:28). Mesmo aqueles entre nós que, como eu mesmo, não estão dispostos a aceitar a concepção antropomórfica de uma divindade pessoal deveriam admitir que a perda prematura do que consideramos crenças não factuais teria privado a humanidade de um apoio poderoso no longo desenvolvimento da ordem ampliada de que agora desfrutamos, e que mesmo agora a perda dessas crenças, sejam verdadeiras ou falsas, cria grandes dificuldades"
   
 
 Bom... não sei o que dizer. Hehehe.

Sei lá, tem algumas ideias boas no livro, outras nem tanto. Em geral, a leitura me acrescentou.


 

Comentários

  1. OIEEEEEE Wanju, eu gostaria de saber o que você acha sobre praticar magia com anjos cabalisticos mesmo eu sendo inicante ainda. Devo continuar ou volto quando tiver mais experiência? Bjsssss <3

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    1. Oi! Então, eu acho interessante magia com anjos cabalísticos, mas só tem que ver bem quem são os autores, hehe. Acho que não faz mal experimentar algumas coisas, sendo mais básicas :)

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  2. Bom, se isso é o melhor de Hayek...

    Tem coisas tão senso comum que o palavreado usado tenta esconder a pobreza dos argumentos .Buscar a evolução da sociedade tendo as crenças religiosas,principalmente as monoteístas ,como o motor de progresso ,revela que o autor faz um plágio mascarado da tese de “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, obra central do sociólogo e intelectual alemão Max Weber iniciada em 1904.

    Último comentário :

    - O proletariado europeu conseguiu melhorias significativas em suas condições econômicas porque o medo da revolução comunistas iniciada em 1917 na Russia se espalhou entre a burguesia.É conhecida uma frase que marca essa postura :

    - "Ceder os anéis para não perder os dedos".

    Foram os bolcheviques que acabaram impulsionando as reformas e o Estado de Bem estar Social que dominou a Europa conduzida pelos partidos sociais democratas .Ao contrário do que Hayek afirma como sendo o capital que trouxe progresso e empregos e riqueza para os proletariados . Só uma parte dessa afirmação é correta .

    Enfim,isso é Hayek...

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    1. Hahaha, a parte que eu achei mais interessante foi no começo, quando ele fala um pouco sobre biologia e evolução, e citar o Popper.

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